NA EDUCAÇÃO DAS CRIANÇAS, QUE PRÁTICAS SÃO POSITIVAS E QUAIS SÃO NEGATIVAS?

Desde que um bebê nasce, os pais passam a estabelecer com esse novo ser uma relação que, quase sempre, é permeada por afeto e cuidados. Contudo, mesmo quando há boas intenções, nem sempre os pais estão contribuindo para o desenvolvimento dos seus filhos de forma assertiva.

No dia a dia, as práticas utilizadas pelos pais nos cuidados com o bebê, vão dando contorno ao que chamamos de estilos parentais. Acontece que esses estilos comportamentais adotados pelos pais, tendem a ter forte influência no desenvolvimento infantil, podendo agir positivamente ou negativamente a depender das práticas adotadas. Mas, quais práticas parentais são consideradas favoráveis e quais são consideradas danosas ao desenvolvimento dos filhos?

De acordo com o Modelo de Estilo Parental, desenvolvido pela Drª Paula Gomide e equipe, favorecido pelo Conselho Federal de Psicologia em 2005 e publicado pela Editora Vozes em 2006, algumas práticas podem acarretar no desenvolvimento de comportamentos anti-sociais e outras no desenvolvimento de comportamentos pró-sociais. Esse modelo é composto por sete práticas educativas, sendo duas práticas positivas e cinco práticas consideradas negativas.

Desse modo, são consideradas práticas positivas:

  1. Monitoria Positiva: refere-se ao fato do pai conhecer bem seu filho, saber seus gostos, suas rotinas, conhecer seus amigos, saber que lugares ele frequenta e coisas assim. Obviamente, para que o pai desenvolva essa prática é necessário tempo e dedicação ao lado do filho.
     

  2. Comportamento Moral: O comportamento moral fala a respeito da capacidade do pai de passar para o filho valores como honestidade e empatia. Nesse quesito, vale ressaltar a importância do papel do pai como modelo a ser copiado pelo filho.

Já as práticas consideradas negativas são:

  1. Abuso Físico: Consiste em um padrão comportamental que inclui violência física (força física/ lesões corporais) como formas de punição. Aqui vale lembrar que a “palmadinha” também é considerada abuso físico e que não há evidências científicas de que essa prática tenha efeito positivo, ao contrario, ela está geralmente associada à consequências como baixa autoestima.
     

  2. Disciplina Relaxada: Acontece quando os pais estabelecem algumas regras e eles mesmos não conseguem cumpri-las ou as mudam com muita frequência.  Tal comportamento, pode gerar insegurança na criança, que nunca sabe quando está agindo certo ou não.
     

  3. Monitoria Negativa: Ao contrário da disciplina relaxada, na monitoria Negativa, os pais sufocam os filhos com regras e fiscalização exagerada. Nesses casos, as crianças podem sentir-se inseguras de viver fora do alcance dos pais, ou, sentimentos de rebeldia – uma forma de transpor o excesso de regras.
     

  4. Negligência: Quando os pais não têm interesse pela vida dos filhos e não cumprem seu papel de forma significativa. Essa prática juntamente com o abuso físico são considerados os principais desencadeadores de comportamentos anti-sociais em crianças e adolescentes.
     

  5. Punição inconsistente: Nesse caso o pai acaba por nortear seu comportamento para com o filho a partir do seu humor no momento, gerando confusão, insegurança, medo e falhando no processo de se inibir comportamentos desadaptativos nas crianças.

Por fim, vale lembrar que os pais são o primeiro contato das crianças com o mundo. São eles que irão ajudar a construir nas crianças suas primeiras crenças sobre as pessoas, as situações e sobre a vida como um todo. Tais crenças terão, no futuro, importante valor na construção da personalidade da criança, portanto é muito importante a adoção de práticas que favoreçam seu desenvolvimento.

Ana Paula Veiga

CRP 08/18064

Psicóloga Infantil

Especialista em Neuropsicologia Infantil – UNICAMP

 Fonte: Ampla Psicologia

Add a Comment

O seu endereço de e-mail não será publicado. Campos obrigatórios são marcados com *